Não quero ter a terrível limitação
Eu não: quero é uma verdade inventada.
[Clarice Lispector]
Luzes se apagam. Segundos de silêncio
Hora de começar o espetáculo
As cortinas são abertas. Vermelhas, de veludo carmesim
Que correm para seus cantos em perfeita sincronia
No palco, está o protagonista do espetáculo
Somente uma pessoa em cena
Um monólogo de dramas ínfimos do cotidiano
Diálogos abundantes sobre emoções e angústias
Lembranças de pequenezas, bagatelas e reveses do passado
Eis que o observador se atenta na coxia
Escondido na sua penumbra
Aos detalhes mais comezinhos dos gestos no palco
Sublinhado pelo spot de luz
No cenário, o corpo que fala por si
E, escondida no canto, atrás da cortina
Está a consciência vestida de autoridade
É a projeção de uma atenção sempre esperada
Do aplauso sempre aguardado no final da festa
E das flores em consagração por mais uma noite
Rostos desconhecidos ocupam a platéia
Público variado que julga aquilo que foi dito no palco
FICHA TÉCNICA
Autor do espetáculo: A vida
Duração do espetáculo: Essa mesma vida
Nome do espetáculo: "Velha casa"
Direção: Ao léu e ao sabor dos acontecimentos
Elenco: Ainda em constante definição
Local: Em casa, no trabalho, no bar, no quarto ou à sombra da noite
Apresentações: Espetáculo itinerante, sem hora para começar
[Até que se encontre no roteiro
Uma vírgula ou um ponto parágrafo qualquer
Para preparar uma reestréia]









