22 março, 2008

Grão de areia


Sou o grãozinho de areia miúdo que se aconchega no calor dos demais em sua praia. Ao sabor dos ventanias, junto um grão amigo aqui e outro acolá para formar um montante qualquer na areia, um castelo de criança, o nome de um amor vivido, a marca da sua pegada ou, quem sabe, a lembrança das águas que por ali passaram.

Sou o grãozinho branco-camaleão, que muda de cor de acordo com os ângulos solares e da sombra, quando do seu caminhar matinal. Sou o grãozinho grosso que mostra firmeza em seu corpo, e também fino para ver até que ponto eu consigo me manter grudado em seus pés.

Sou aquele grãozinho que serve de conforto para seu sono na praia. Ele, acredite, procura até se esfriar só para ver se ameniza um pouco a quentura que sua chegada traz ao solo. O pequeno grão no mundo vai tirando ainda as imperfeições da areia, de forma a acalentar melhor o cansaço do seu amor nos alguns minutos de sua estadia ali.

E, ainda sim, você insiste em catar suas conchinhas...

16 comentários:

FlaM disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marco Antonio disse...

Daniel... que coisa linda. Essas metáforas. Adorei isso, cara.

Acho que já passou da hora de nos adicionarmos no MSN e orkut, não acha?

Anota aí: markk@live.it

Rose disse...

Tão leve...
Tão intenso...
Tão lindo!!!
Que seja doce doce a sua Páscoa!!

beijo

Anônimo disse...

Algumas vezes é difícil para as pessoas ver o que está bem diante do nariz. (Quintana tem um verso sobre isso.)
Eu achei o texto delicado ao extremo. E bonito.

Beijos.

R Lima disse...

Pequeno e sensitivo.. o grão que vos fala percorre o torrencial desejo num incômodo faz não existir, num grito de: - percebe-me aqui!!!

Abçs,




Texto de hoje: 10 pOr 9...

Visite e Comente... http://oavessodavida.blogspot.com/

O AveSSo dA ViDa - um blog onde os relatos são fictícios e, por vezes, bem reais...

Bárbara Matias disse...

Ei Daniel...
Vim aqui rapidinho... mas preciso voltar pra colcoar minha leitura por auqi em dia!

Amanha leio e comento decentemente, ok?!

Bjim...

Mr. Ziggy disse...

E regressas ao minúsculo, ao sutil, a detalhe e faz de todos esses algo repleto de grandezas, de cores, de "histórias pra contar".

Quem dera se nossos olhos fossem assim sempre, né? Por que tantas vezes nos atemos apenas em catar conchinhas?

Vai entender a tal da indiferença ou desatenção humana... vai entender...

Tudo ou nada ... disse...

E de grão em grão que nos fazemos, nos tornamos, nos revitalizamos ...
Abração

Anônimo disse...

"Sou um grão de areia"

Multiplicado.
Um é um exemplo, uma amostra.

Beijo.

Clara Mazini disse...

De uma sensibilidade incrível. Pequeno, grande, infinito.

Marina Mah disse...

"Sou o grãozinho grosso que mostra firmeza em seu corpo, e também fino para ver até que ponto eu consigo me manter grudado em seus pés."

Um amor insistente sem ser invasivo... Persistente, porém acolhedor...
Daqueles que a gente só acredita quando lê palavras assim...

Quanta sutileza!

Guilherme Côrtes disse...

pode acreditar Daniel, se alguém fala que desiste dessas conchinhas é provavelmente um blefador de primeira linha.
concordo com o Renato ali em cima, que texto sutil... delicado. faz bem pra alma. gostei, muito mesmo!

Filipe Garcia disse...

"E, ainda sim, você insiste em catar suas conchinhas..."

Achei o texto de extremo bom gosto. Você sabe fazer bem isto: brincar com as imagens. Eu não esperava esse final. Fui lendo o texto como quem lê um conto mas me surpreendi com o fim encantador. E eu me entristeço com o fato de as pessoas - e eu também - sermos tão mesquinhas a ponto de catar as conchinhas na praia sem nos darmos conta dos grãos de areia que, na maioria das vezes, tem histórias mais bonitas para contar.

Abraço, Daniel.

Dauri Batisti disse...

Quem nunca se sentiu um grão? A experiência, a consciência de ser areia, pó, nada, assusta; mas ajuda a enxergar o universo.

Tudo ou nada ... disse...

Tem um premio para vc lá no nosso blog, quando tiver um tempinho passa lá para pegar.
Abração

Pedro Gabriel disse...

"Sou aquele grãozinho que serve de conforto para seu sono na praia. Ele, acredite, procura até se esfriar só para ver se ameniza um pouco a quentura que sua chegada traz ao solo. O pequeno grão no mundo vai tirando ainda as imperfeições da areia, de forma a acalentar melhor o cansaço do seu amor nos alguns minutos de sua estadia ali.


E, ainda sim, você insiste em catar suas conchinhas..."

lindo, lindo. Me senti na mesma praia, catando conchinhas, pertinho daquele grãozinho.

grande abraço.