21 maio, 2008

Palavras cruzadas



O amor de hoje mora exatamente aí, no embaralho das palavras cruzadas na mente, ou numa marola de suspiros a cada tentativa inglória de tentar entender por que me sinto tão vulnerável diante da sua presença. Quer dizer, da sua ausência – de palavras, telefonemas, de contatos, de causos, contos e vivências compartilhadas.

Cada vez menos eu tenho você e cada vez mais meu coração se emaranha em sensações diversas que, por ora, escolhem se manifestar ao mundo com certa timidez para o público. O espetáculo acontece aqui dentro, ainda apresentado em monólogo, até que o nosso “Eu te amo” entre em cartaz, reestreando no painel luminoso na praça.

Por enquanto, observo sentado no banquinho do largo central o tempo que segue, os velhos que se renovam, os cães que se coçam, e as águas do chafariz que se repetem sobre o incólume da vida imobilizada.


[Moral da história: é preciso descruzar os braços. Ou, no meu caso, as palavras. Enquanto esse momento não atinge sua completude, para confortar ouço por aqui Chico Buarque e sua lição para os futuros amantes: “Não se afobe não / Que nada é pra já / O amor não tem pressa / Ele pode esperar / Em silêncio”]







2 comentários:

FlaM disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Clarice Lis disse...

Paulo Leminski tem um poema que diz assim: Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.