13 dezembro, 2007

Tic tac


:: "Time goes by so slowly" ::

Tempo
Não é passado, nem presente
São projeções que eu vivo, conjecturas
Arrependimentos que se desfazem nos olhos fechados
Voltas atrás que cabem exclusivamente às lembranças

Tempo
Não é ontem, talvez nem amanhã
"O que será o amanhã?
Responda quem puder"
Eu confesso minha pequeneza
Em não conseguir agora uma resposta de prontidão

Meu amanhã vive da memória
E também de uma certa culpa
Por não ter sido aquilo que almejaria ser hoje

Meu futuro, por ora, é do pretérito
Meu presente vive de frustração
Meu amanhã, queira Deus nem saber




[Desmontei meu despertador de corda
Para saber o que, de fato, é o tempo]

2 comentários:

J.Machado disse...

Daniel,
muitas vezes me pego a fazer a seguinte pergunta.
"-O que estou fazendo aqui?"
A resposta vc acaba de traduzir no "tic tac".
Seu texto dá uma sensação de soco no estômago, incomoda pois reflete a verdade. "Meu presente vive de frustração".
Queria ser burro, talvez não sofresse ou questionasse tanto.
Sem mais comentários, seu texto é perfeito.Você tem o dom.

J.P. disse...

É certo que não segue a mesma linha de raciocínio do texto, mas expressa também a frustração pelo menos em uma das possibilidades que o autor cogita/admite:

"O futuro é uma astro-nave que tentamos pilotar. Não tem tempo, não tem piedade, nem tem hora de chegar. Sem pedir licença muda nossa vida e depois convida a rir ou chorar. Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá. O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar. Vamos todos numa linda passarela de uma aquarela que um dia enfim... Descolorirá."