22 maio, 2009

Cortina


O sol insiste em bater à janela, mas tenho preferido a companhia das cortinas. São mais acolhedoras, sobretudo no instante de despertar, que me é tão desolador. Ultimamente tem sido assim: acordo com as pernas mais cansadas do que quando eu vou dormir, e ainda não alcancei as teorias que possam explicar esse mistério. Diz a terapeuta que são os sonhos (sempre movimentados, é verdade); já outro amigo prefere apelar para as noções de espírito. Eu só me sinto à vontade para bater o martelo num ponto: não é justo o corpo esperar meu sono para ter vida própria, sair por sabe-se lá Deus onde, não me convidar e ainda por cima encerrar sua boemia me deixando um certo desânimo, sensação de tristeza mesmo. É assim que venho acordando nesses últimos dias.


[Sem mais o que dizer]

3 comentários:

Dauri Batisti disse...

Fico triste com o que você relata, Que pode ser ficção. Em todo caso acordar com as pernas cansadas, e triste, não deve ser bom, mas o texto que você produz é muito bom.

Belíssima ilustração para o texto.

Um abraço.

Luana Ferraz disse...

As cortinas da alma, do mundo em que não se pede, mas que se aprecia e desejar estar, embora não queira, só, entre um eu e o unico eu...

Lindo.

Beijos

Rose disse...

Será impressão minha ou boa parte do mundo tem acordado assim ultimamente?

Estava com saudade de visitar a velha casa.
um beijo,