14 novembro, 2009

Assinado eu

[Inspirado num sonho e na voz da Tiê]

Um sonho recente ainda me instiga. Você estava nele. Quanto tempo nos falamos, quiçá nos encontramos, não é verdade? E, de sobressalto, como quem não quer nada, eis que você me surge inesperadamente. Eu estava vulnerável. Não pede licença, não chega de mansinho e, como de hábito, causa pertubação. Incomoda não por causa de sua mania de querer se exibir sempre. Incomoda porque me fez suscitar as dores e delícias de estar ao seu lado. Me fez sentir saudade. Estava sentindo falta de quem eu ainda não tinha -- e você, por alguns instantes, tive ao meu lado. A falha, neste caso, dói mais que a falta. Por que não bateu a porta? Deferência, de minha parte, nunca lhe faltou. Já lhe estendi tantas vezes meu tapete vermelho. Sei que algumas decisões minhas soaram a você inaceitáveis. Eu sei. Mas nem por isso pense que o sonho é o melhor ponto de encontro para nós dois. Prefiro o tete-a-tete, olho no olho, como aquele dia na avenida. Lembra? Ainda sigo a direção que meu coração ordenou, mas espero sinceramente que essas nossas paralelas ainda se cruzem por aí.

3 comentários:

Marcelo Mayer disse...

se deixar dormir, pra poder ver.

belíssimo

Ale Danyluk disse...

O alheio sempre chora o seu dono...
Cada palavra sua me leva a grandes reflexões.

Lindo e intenso como sempre.

Bjo
Ale

renataamacam disse...

gostei muito...lindo