13 outubro, 2007

Paleta de cores



“Amor, o mundo muda de cor de repente”


A constatação é de Sylvia Plath (1932-1963), poetisa norte-americana.

Para ela, o mundo é uma espécie de paleta de cores imprevisível.



Mundo em película.
Em movimento.
Fotografia.
Amélie Poulain e seu fabuloso destino.


São cores vivas, opacas, ou turvas.
Como é o próprio ser humano
Em sua sina de mudar para o fim de se terminar.



“eu preciso andar
um caminho só
vou buscar alguém
que eu nem sei quem sou”
[Los Hermanos]


***


Hoje minha paleta está sem muitas cores.
São borrões, riscos, traços, troços e rasbicos.
Vestígios de uma tentativa de se fazer artista.

Hoje são vestígios do silêncio.
Do implícito.

Da interrogação.
Do sussurro.


Shhhhhhhhhhhhhhh.
Fale baixo.
Não conta pra todo mundo.
Pra quê?
Nem todos sabem ver o silêncio.


Silêncio:
Sinônimo de vazio?
Oco?
Sem sentido?


O senhor sabe o que é o silêncio?
É a gente mesmo, demais”
[sempre Guimarães Rosa]



Não conte pra ninguém:
Silêncio é segredo.
Mas é forma de vida.
Escolha de vida.


E de recomeço.

Crédito: "O Castelo de Carnevon", de William Turner (1830-1835)

4 comentários:

Cristina disse...

Cada vez mais eu concordo com a Silvia Plath, pois o mundo realmente é uma espécie de paleta de cores imprevisível. Mas o ruim disso está no "imprevisível". Parabéns pelo blog.

Beijocas,

Gabriela Targueta disse...

Realmente... tudo comeca no silencio. E e ai que podemos realmente compreender coisas que antes nao compreendiamos. E necessario sair do meio do 'barulho' para ser capaz de entender tudo o que passa ao nosso redor. Otima percepcao. Otimo assunto. Otima abordagem.
Cada dia que passa tenho mais conviccao que Daniel Targueta nao e apenas mais um no meio da multidao. Suas palavras realmente expressam seus sentimentos. E isso e o que diferencia alguem dos demais.
I see you like that: breaking the spell of the typical.

Love,

Gabi

Vulgo Dudu disse...

Ficou muito bonito isso aqui! Você tem muito mais talento do que aquelas ilhas geladas podem imaginar...

Abs.

Carlos Otoni Rabelo disse...

Sua paleta de cores não desbota, amigo, é azul, sempre, aquele azul que invade e responde.

Responde antes mesmo de você,mesmo em silêncio...