06 dezembro, 2007

Degelo


Agradeço o seu zelo
O seu carinho
E a sua atenção
Mas sinto-lhe informar
Hoje deles eu não careço mais

Não porque eu já o tenha de outra fonte
Mas é que eu dispenso a comiseração
Que vem embrulhada no pacote desse seu amor

Por favor,
Não me tenha por insensível
É que a frieza ainda me oferece lógica
A certos furacões da vida

Por isso, sinto-lhe informar
Mas esse seu mar de emoções
Hoje eu não careço mais

Prefiro ir me degelando em frações


3 comentários:

J.P. disse...

Talvez o equilíbrio entre razão e sensibilidade não esteja necessariamente dentro de um único ser, mas sim num par deles. Se houver um equilíbrio apenas "de um para ele mesmo", eu confesso: Viverei só!

(E você sempre traduzindo, de alguma forma, o inconsciente coletivo. Continue.)

J.Machado disse...

Tudo bem?
Belíssimo texto este seu último. Situação frequente em minha vida.
Fico pensando, seria eu mais feliz se fosse auto-suficiente?
Como você disse "é que frieza ainda me oferece lógica", é a proteção que tenho. E como eu digo "tenho medo de gente", e assim vivo.
Li seus outros textos e vi as fotos, parabéns pelo bom gosto e conteúdo.
Li alguns blogs e os seus respectivos comentários, e foi assim que encontrei o seu.
Parabéns mais uma vez!

Carol Timm disse...

Daniel,

Vá degelando aos poucos, por que a pressa.

Mas, se mudar de idéia, um degelo rápido também tem suas vantagens.

Gostei muito desse poema!

Beijos,
Carol