18 junho, 2008

Falta de ar



Está tudo preso no peito. Pouco entra, pouco sai. Na lembrança, vêm as noites da infância. O menino magro, que se alternava entre o escuro dos olhos tapados pelo cobertor, para se esquivar de alguma forma daquele sufoco dolorido, e o branco das noites no hospital. Em seguida veio a água, e o mundo desde então se fez mais aliviado. Mas, de peito aberto, eu reconheço: os medos não me dão fôlego para continuar saltando, a plenos pulmões, toda sorte de intempéries ao seu lado. Minha esperança se limita a fulgurar nos olhos como uma nesga qualquer, que hoje em mim resiste triste, abafada, pela impaciência de não ver tudo logo resolvido.



7 comentários:

Poeta Mauro Rocha disse...

Às vezes é muito dificil respirar, mas é preciso mante-se vivo!!

Um abraço!!

MAURO ROCHA

Anônimo disse...

A intensidade destas palavras me fez pensar no quanto muitas vezes gritamos silenciosamente... essa dor no peito, essa voz presa lá dentro, é algo que nos sufoca e impede os nossos instintos naturais de se manifestarem como devem!

Flávia disse...

É a impaciência de não ver tudo resolvido que nos dá garra para procurar as soluções, querido...

Beijo ;)

BABI SOLER disse...

Isso dá uma agonia!

R Lima disse...

O medo do nada conseguir nos limita e como que num ato de pura asma.. nos sufoca.

Lute pelo jeito.. pq há.

Té amigo,




Texto de hoje: mÓbiLe...

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Carla Quadros disse...

No fundo é bom saber que não estou sozinha com minhas angústias, dúvidas, meus medos. No fundo é bom saber que tua agonia se conforta em uma boa compania, assim como a minha.
No fundo é bom saber que não estou sozinha em minhas loucuras. Não é fácil ouvir "não faça tempestade em copo d'agua, deixe disso, tudo passa". Tudo bem que tudo passa, mas enquanto não passa o sofrimento tortura. No fundo sinto vergonha de ser tão sincera em dizer o que digo... Mas tuas palavras melhoraram o meu dia...

Auréola Branca disse...

Sinto-me tão ligada a sua angústia. Não sei se porque elas vêm acompanhando-me da infância (como a tu), ou se deixo-as tomarem conta de mim (como deixas).

Abraços.